Por: Ceprol
Cerca de 800 professores da rede municipal de São Leopoldo paralisaram as atividades nesta quarta-feira (13) e realizaram uma caminhada pela Rua Independência, no centro da cidade. A mobilização, organizada pelo Sindicato dos Professores Municipais Leopoldenses (Ceprol Sindicato), reuniu docentes e a comunidade escolar de 46 escolas que aderiram à paralisação em defesa da educação pública e da valorização do magistério.
A decisão de paralisar as atividades ocorreu em assembleia, após a categoria debater a proposta do prefeito Heliomar Franco (PL) e rejeitar a reposição salarial de 3,77% (INPC) correspondente ao menor índice de inflação, parcelado em três vezes: 1,89% em abril e 1,88% em outubro, com pagamento do retroativo apenas em dezembro. As professoras classificaram a proposta como desrespeitosa por não repor as perdas do período, insuficiente para garantir avanços e valorização salarial.
O Ceprol reivindica reajuste baseado no índice do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB), no valor de 7,1%, o mesmo percentual no Programa de Alimentação e um plano de saúde acessível com contrapartida financeira da Prefeitura.
“Nós fizemos várias mesas de negociação, mas o governo insiste no menor índice da inflação, de 3,77% parcelado. Nós entendemos que é insuficiente para valorizar o magistério. O FUNDEB foi reajustado em 7,1%; o Piso Nacional do Magistério, em 5,44%”, afirma a Presidente do Ceprol Sindicato, Cristiane Mainardi.
Ela também alerta para o risco de descumprimento da lei do Piso Salarial Nacional. “Estamos apenas 4 reais acima do Piso Nacional do Magistério. Se não houver um reajuste justo, no mínimo o índice de reajuste do piso nacional (5,44%), no próximo ano o salário das professoras municipais estará abaixo do piso.”
Além disso, a pauta histórica do magistério, que é o Plano de Saúde acessível com contrapartida da prefeitura, também recebeu negativa do governo. Em resposta, a administração propôs a criação de um grupo de trabalho para estudar a elaboração de um auxílio-saúde, o que foi rejeitado pelas docentes.
“Auxílio-saúde não resolve nossos problemas. Não queremos esse tipo de penduricalho. Queremos nossos direitos garantidos com valorização, um plano de saúde digno e acessível, pois estamos adoecidas e sobrecarregadas. A realidade nas escolas está cada vez mais extenuante e precisamos desse olhar para a saúde física e psicológica das professoras”, destaca Mainardi.
As docentes também denunciam o aumento da violência verbal, psicológica e física dentro das escolas, tanto por parte de alunos quanto de familiares. Somam-se a isso as condições precárias de trabalho, como salas superlotadas, falta de profissionais de apoio no atendimento à inclusão e a sobrecarga de trabalho compromete tanto a saúde das professoras quanto a qualidade do atendimento aos estudantes.
A mobilização, segundo a categoria, vai além da pauta salarial. “Esse é um movimento que vai além do reajuste: é uma luta pela defesa da educação pública e pela valorização profissional do magistério. Nós estamos conversando com a sociedade também, para estar junto e exigir mais investimentos na educação, estrutura nas escolas, recursos humanos para atender as demandas atuais da educação inclusiva de qualidade e da valorização salarial das professoras”, afirma a professora Daisy Falconi.
As docentes também ressaltam a disparidade salarial em relação a outras profissões com mesmo nível de formação e reforçam o caráter social da paralisação. “É uma paralisação em defesa do futuro dos filhos e filhas dos cidadãos leopoldenses, para que tenham acesso à educação de qualidade”, completa.
Margem para negociação
O Ceprol conta com o apoio técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), instituição reconhecida nacionalmente, que auxilia nas análises sobre as contas do município. “É importante destacar que há ampla margem para negociação de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal. Os gastos com pessoal atingem um percentual em 39%, enquanto a lei estabelece um limite de 54%”, explica a presidente do Ceprol.
Próximos passos
Além da paralisação, nesta quarta-feira nova mesa de negociação entre o sindicato e administração municipal ocorre às 14h. A categoria afirma que permanecerá mobilizada e não descarta novas mobilizações caso não haja melhorias na proposta do governo que contemple as demandas dos professores municipais de São Leopoldo.
Criado em: 15/05/2026 11:51
