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Juventude sindical: construir hoje o sindicato que queremos para o futuro

Por: Ceprol - Sarah Fauth Figueiro – Professora da Rede Municipal de Ensino de São Leopoldo - Criado em: 17/09/2026 08:50

Juventude sindical: construir hoje o sindicato que queremos para o futuro
Juventude sindical: construir hoje o sindicato que queremos para o futuro
Por: Ceprol - Sarah Fauth Figueiro – Professora da Rede Municipal de Ensino de São Leopoldo

Entre os dias 9 e 10 de setembro de 2026, o Sindsep, em São Paulo (SP), recebeu a Escola Sindical Nacional da Juventude, promovida pela Internacional de Serviços Públicos (ISP). O encontro reuniu jovens trabalhadores e lideranças sindicais de diferentes regiões e categorias do serviço público, entre elas a representação do Ceprol Sindicato de São Leopoldo/RS.


Mais do que uma formação, a Escola trouxe uma reflexão necessária para todos nós que fazemos parte da educação pública: como construir um movimento sindical que dialogue com as novas gerações?


É comum ouvir que a juventude é o futuro do sindicato. Mas a juventude também é presente. Está nas escolas, nos serviços públicos, nos espaços de trabalho e precisa estar também nas discussões, nas decisões e na construção do movimento sindical.


Ao mesmo tempo, precisamos reconhecer uma realidade: muitos jovens não se identificam com o modelo tradicional de sindicato. Isso não significa necessariamente falta de interesse pela coletividade ou pelos direitos dos trabalhadores. Talvez signifique que precisamos repensar a forma como nos comunicamos, como organizamos nossas ações e, principalmente, como abrimos espaço para que novas gerações possam participar.


A pergunta não deveria ser apenas como trazer os jovens para o sindicato, mas como construir um sindicato no qual eles queiram estar.

Para isso, é preciso escutar. Criar espaços de diálogo, utilizar novas formas de comunicação, aproximar o sindicato do cotidiano dos trabalhadores e permitir que os jovens tenham voz para propor, construir e decidir.


Essa renovação, porém, não pode significar o esquecimento de quem veio antes.


Nós, trabalhadores da educação, sabemos o valor da experiência. Muitas das conquistas que temos hoje foram construídas por professores e trabalhadores que estiveram na luta antes de nós, enfrentaram dificuldades e ajudaram a fortalecer a organização da categoria.


Se hoje temos caminhos abertos, é porque alguém caminhou antes.


Por isso, a experiência de quem já está no movimento sindical precisa ser valorizada e compartilhada. Ao mesmo tempo, quem está chegando precisa encontrar espaço para trazer novas ideias, novas perguntas e novas formas de participação.


Renovar não é substituir. É somar.


Durante a Escola Sindical, também estiveram em debate as transformações do mundo do trabalho, como a precarização, a terceirização, a tecnologia e a inteligência artificial. São mudanças que já fazem parte da realidade dos trabalhadores e que exigem um sindicato atento, preparado e capaz de dialogar com diferentes gerações.


Também precisamos pensar em novas formas de liderança. Liderar não é concentrar decisões, mas compartilhar conhecimento, ouvir, formar novas lideranças e abrir oportunidades para que mais trabalhadores possam participar.


Como professores da rede pública, conhecemos a importância de criar espaços onde as pessoas se sintam pertencentes. O sindicato também precisa ser esse espaço.

A juventude não deve esperar pelo futuro para participar. Ela precisa encontrar, hoje, motivos para se reconhecer no movimento sindical.



O desafio está justamente em unir aquilo que já foi construído com aquilo que ainda precisa ser transformado.


A experiência de quem veio antes é a nossa história. A participação da juventude é parte do nosso presente. E o futuro do sindicato depende da capacidade de construirmos esses caminhos juntos.