Por: Larissa Brito

Após a suspensão judicial devido à onda de calor no Rio Grande do Sul, as aulas na rede estadual serão retomadas nesta quinta-feira (13). Já na rede municipal de São Leopoldo, o reinício está previsto para o dia 20. A decisão reacendeu debates sobre as condições estruturais das escolas públicas para enfrentar temperaturas extremas.

Na manhã desta quarta-feira (12), o programa Berlinda News recebeu Luis Henrique Becker, ex-conselheiro e atual diretor do Cpers-Sindicato, e Rosi Petersen, vice-presidente do Ceprol-Sindicato, que abordaram os desafios enfrentados pelas instituições de ensino.

Infraestrutura precária e tentativas de diálogo

Becker criticou a postura do governo estadual diante do cenário. Segundo ele, um pedido de revogação da decisão judicial foi apresentado com base em dados técnicos.

A negativa da liminar pelo judiciário foi à 1h30 da manhã, sem sequer uma avaliação aprofundada. Três advogados do Cpers entraram com o pedido de revogação, embasados em dados da MetSul e de outras instituições”, afirmou.

O diretor do Cpers também destacou que o governo foi alertado sobre os riscos da retomada das aulas em meio ao calor intenso. “Na quinta-feira passada, estivemos na Casa Civil e conversamos com o secretário. Também houve contato da presidente do Cpers, Rosane Zan, com a secretária Raquel Teixeira, informando sobre a gravidade da situação. O governo dizer que foi pego de surpresa não condiz com a realidade”, pontuou.

A preocupação com as condições estruturais das escolas também foi um dos pontos levantados. Segundo Becker, muitas instituições não oferecem um ambiente adequado para os estudantes. “Os pais levam as crianças, principalmente das séries iniciais, para um espaço que precisa estar em boas condições, com ventilação, ar-condicionado e água potável. Se uma criança desmaia e bate a cabeça, quem responde por isso? A direção da escola”, questionou.

Ainda de acordo com o sindicalista, apenas 27% das escolas estaduais contam com ar-condicionado – e, mesmo nesses casos, há problemas elétricos. “Das 2.300 escolas, apenas 633 têm ar-condicionado. E temos relatos de que, ao ligar os aparelhos, a energia cai. Há escolas que receberam equipamentos, mas não podem utilizá-los por falta de infraestrutura elétrica adequada”, denunciou.

Além disso, Becker apontou a precariedade das chamadas “brizoletas”, escolas de madeira construídas na década de 1960, durante o governo de Leonel Brizola. “Isso evidencia a falta de investimento na manutenção das escolas. Mais de 50% das instituições no estado têm problemas estruturais, como banheiros sem condições de uso, falta de água, telhados comprometidos e pisos danificados”, alertou.

Falta de investimentos na educação

Rosi Petersen, vice-presidente do Ceprol-Sindicato, reforçou que a precariedade da estrutura escolar impacta diretamente no aprendizado dos alunos. “As crianças ficam agitadas e isso dificulta o ensino”, disse.

Para ela, a falta de investimentos na educação é um reflexo da falta de prioridade governamental. “Em época de eleição, a educação sempre aparece como prioridade. Mas, passado o pleito, para onde vai essa prioridade?”, questionou.

Petersen também criticou a ausência de manutenção nas escolas municipais, especialmente após os danos causados pelas enchentes. “Muitos aparelhos de ar-condicionado ainda não foram recuperados, e ventiladores foram retirados das salas por falta de manutenção. Já tivemos casos de ventiladores caindo sobre professores e alunos. Alguns docentes levam ventiladores de casa para minimizar o calor”, relatou.

Por fim, a dirigente sindical destacou a importância da participação da comunidade na defesa da educação pública. “Professores e sindicatos não fazem a escola sozinhos. As famílias precisam se apropriar desse debate, cobrar investimentos. A escola é pública, tem uma mantenedora e precisa de recursos para garantir um ensino de qualidade”, concluiu.

Criado em: 12/02/2025 21:27


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